Camelos do Jalapão foram batizados no RN antes de transferência para Tocantins
Animais que encantaram internautas não serão mais usados em passeios turísticos, afirma ex-proprietária.
Os cinco camelos — ou dromedários — que viralizaram nas redes sociais ao serem vistos descansando em uma fazenda próxima ao Jalapão, no Tocantins, foram batizados no Rio Grande do Norte antes da transferência. A informação foi confirmada pela empresária Cleide Gomes, ex-proprietária dos animais, ao g1. Segundo ela, os camelos não serão mais utilizados para atividades turísticas.
Os animais, que se chamam Sherazade, Natalina, Safira, Miva e Ceminha, eram parte de um lote de 25 dromedários da empresa Dromedárias, que encerrou suas atividades em 2024. A Agência de Defesa Agropecuária do Tocantins (Adapec) informou que os animais estão sendo mantidos de forma regular, com toda a documentação sanitária exigida em dia.
História da importação e reprodução no Brasil
A chegada dos camelídeos ao Brasil remonta a 1998, com uma importação da Ilha Canárias, na Espanha. A iniciativa partiu do empresário Philippe Landry, marido de Cleide Gomes, falecido em 2018, após ele conhecer passeios turísticos com dromedários em viagens ao exterior. A empresa criada por ele, a Dromedunas, operava no Nordeste.
Conforme documentos da empresária, novas importações ocorreram em 2000, para investir na reprodução, e em 2014, quando chegaram fêmeas e machos. Naquele ano, o plantel somava 15 animais, entre adultos e filhotes. A gestação da espécie dura 13 meses, e alguns filhotes nasceram entre 2016 e 2019.
A empresa chegou a ter 25 animais, todos batizados com nomes de origem árabe, egípcia ou persa. Cleide Gomes explicou que os primeiros camelos importados morreram de velhice, enquanto outros foram enviados para o Tocantins e para Petrópolis, no Rio de Janeiro.
Critérios rigorosos para a doação
A seleção dos locais que receberiam os animais após o fim das atividades da Dromedunas foi feita com base em três pré-requisitos estabelecidos por Cleide Gomes. "Para selecionar um parceiro, estabeleci três pré-requisitos: amar os dromedários; que os animais não devem exercer a mesma atividade e ter um espaço físico maior que o meu", afirmou a empresária.
O biólogo Claudio Montenegro, consultado pelo g1, explicou a diferença entre as espécies. "Dromedários e camelos são parentes, mas se diferenciam pela quantidade de corcovas", disse. Ele detalhou que esses animais, originários da Ásia, África e Oriente Médio, foram importados no passado para zoológicos, circos e resorts, mas que a legislação atual proíbe novas importações.
Situação sanitária regularizada
A Adapec informou que verificou as Guias de Trânsito Animal (GTA) e toda a documentação exigida para os animais que estão no Tocantins. O órgão afirmou que, do ponto de vista sanitário, a situação está regular. O g1 tentou contato com o atual proprietário da fazenda onde os camelos estão, mas não obteve retorno.
O local onde os animais descansam fica próximo ao Parque Estadual do Jalapão, região turística do estado conhecida por suas dunas de areia dourada. As imagens dos dromedários em meio à paisagem do cerrado foram amplamente compartilhadas, gerando curiosidade sobre a origem dos animais.
Deixe seu Comentário
0 Comentários