MP reabre investigação contra Carlos Bolsonaro por suspeita de rachadinha
Filho do ex-presidente é alvo de nova apuração sobre suposto esquema de desvio de salários de assessores.
O Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) reabriu o inquérito que investiga o vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ) por suspeita do crime de rachadinha. A apuração, que havia sido arquivada em 2023, foi retomada após a descoberta de novas provas e depoimentos que indicariam a prática do esquema durante seu mandato na Câmara Municipal do Rio.
Carlos Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, é acusado de ser o chefe de um suposto esquema que desviava parte dos salários de assessores parlamentares para um caixa ilegal. A prática, conhecida como "rachadinha", consiste na contratação de funcionários fantasmas ou na cobrança de uma porcentagem dos vencimentos dos servidores.
Nova fase da investigação
A reabertura do caso foi determinada pela 3ª Promotoria de Justiça de Investigação Penal do MPRJ. De acordo com o órgão, novos elementos foram colhidos após o arquivamento inicial, incluindo depoimentos de ex-assessores e a análise aprofundada de documentos bancários e planilhas de controle. As provas sugerem a existência de um sistema organizado para a captação dos recursos.
Em nota, a defesa de Carlos Bolsonaro afirmou que o parlamentar "nunca praticou qualquer ato ilícito" e que confia na "absolvição plena, como ocorreu em todas as outras investigações infundadas". O vereador, que é reeleito para o cargo desde 2000, nega as acusações.
Contexto do caso e operação que originou a investigação
A investigação teve origem na Operação Placebo, deflagrada pela Polícia Civil do Rio em julho de 2021. Na ocasião, foram cumpridos mandados de busca e apreensão no gabinete do vereador e na casa de um de seus assessores. A polícia apreendeu documentos, celulares e uma suposta planilha de controle de pagamentos.
O esquema de rachadinhas ganhou notoriedade nacional durante o governo Bolsonaro, com investigações envolvendo outros filhos do ex-presidente, como o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que também foi alvo de apurações semelhantes. O caso de Carlos Bolsonaro no Rio é considerado um desdobramento local desse mesmo modus operandi.
Próximos passos e possíveis consequências
Com a reabertura do inquérito, o MPRJ deve ouvir novas testemunhas e aprofundar a análise das provas já existentes. Caso o Ministério Público entenda que há elementos suficientes, poderá oferecer uma denúncia contra o vereador, que seria então julgado pela Justiça.
Além das consequências penais, que podem incluir a perda do mandato por crime de responsabilidade, o caso pode ter impacto político na campanha de Cláudio Castro ao Senado. O atual governador do Rio, que anunciou sair do Palácio Guanabara para concorrer à vaga, é do mesmo partido (Republicanos) e aliado político da família Bolsonaro no estado.
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