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Operação Jogo Limpo desvia R$ 349 mil de projeto social para jovens em Palmas
Tocantins

Operação Jogo Limpo desvia R$ 349 mil de projeto social para jovens em Palmas

Verba foi sacada no mesmo dia do depósito e direcionada a empresas fantasmas, segundo investigação da Polícia Civil.

Redação
Redação

28 de fevereiro de 2026 ·

A Polícia Civil do Tocantins (PCTO) desvendou um esquema que desviou a totalidade de R$ 349.740,00 de um convênio destinado a um projeto social para jovens vulneráveis em Palmas. A verba, liberada em 3 de outubro de 2014, foi integralmente retirada por meio de cheques e direcionada a empresas de fachada no mesmo dia do crédito bancário.

O projeto "Atividade Física e Recreativa no Combate às Drogas", firmado entre a Fundação Municipal de Esporte e Lazer de Palmas (Fundesportes) e o Instituto Vale do Tocantins, nunca saiu do papel. A investigação, batizada de Operação Jogo Limpo, aponta que a celebração do convênio teve como "finalidade exclusiva a apropriação ilícita do erário", conforme relatório policial.

Fraude com aparência de legalidade

Para dar legitimidade ao processo, os investigados utilizaram uma comissão de análise de projetos fictícia dentro da própria Fundesportes. Servidores públicos tiveram seus nomes incluídos no grupo sem conhecimento. Em depoimentos, esses funcionários afirmaram que nunca analisaram qualquer documento do projeto, indicando que a aprovação foi uma mera formalidade fraudulenta.

A tramitação do convênio nº 020/2014 foi atípica, sendo concluída em apenas oito dias. "Constata-se que 100% dos recursos públicos foram direcionados para empresas, comprovadamente fantasmas, envolvidas no esquema, no mesmo dia do crédito", destaca o documento da Polícia Civil.

Empresas fantasmas e lavagem de dinheiro

O núcleo do esquema operava por meio de empresas sem atividade real para lavar o dinheiro. Durante as buscas, a polícia descobriu que os endereços declarados eram falsos – um deles correspondia a uma igreja evangélica. As notas fiscais apresentadas eram "ideologicamente falsas", emitidas por serviços e mercadorias que nunca existiram.

Os recursos foram pulverizados entre dez indiciados, incluindo agentes políticos e familiares. A quebra de sigilo bancário identificou que o então vereador Rogério Freitas recebeu um depósito de R$ 40 mil de uma das empresas fantasmas apenas cinco dias após o repasse.

Principais acusados e crimes

Entre os principais indiciados estão o ex-presidente da Fundesportes, Cleyton Alen, e o presidente do instituto, Deusdete da Silva Melo. Eles e outros envolvidos são acusados de crimes como peculato, lavagem de dinheiro, falsidade ideológica, fraude em licitações e associação criminosa.

Em contato com o g1, o ex-vereador Rogério Freitas afirmou que, após 12 anos, não foi sequer denunciado: "É importante que se apresente a denúncia, os investigados se defendam e a justiça julgue, com a urgência que o caso requer."

Posicionamentos e próximos passos

A Prefeitura de Palmas emitiu nota afirmando que os fatos não têm relação com a atual gestão e que a administração municipal colabora com as investigações. Por telefone, Deusdete Melo disse que os esclarecimentos já foram feitos à polícia e que o Instituto Vale do Tocantins foi desativado.

O g1 tenta contato com a defesa do indiciado Cleyton Alen. Os suspeitos agora aguardam a análise do Ministério Público para a eventual apresentação de denúncia à Justiça.

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