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Polícia indica dez por desvio total de R$ 349 mil de projeto social em Palmas
Tocantins

Polícia indica dez por desvio total de R$ 349 mil de projeto social em Palmas

Investigação aponta que verba foi integralmente desviada no mesmo dia do repasse, em 2014, para empresas fantasmas.

Redação
Redação

27 de fevereiro de 2026 ·

A Polícia Civil do Tocantins indiciou dez pessoas suspeitas de desviar integralmente R$ 349 mil destinados a um projeto social que nunca foi executado em Palmas. A Operação Jogo Limpo, da Divisão Especializada na Repressão à Corrupção (DECOR), concluiu após 12 anos que o dinheiro foi repassado a empresas fantasmas no mesmo dia em que chegou à conta do instituto responsável, em 2014.

O convênio nº 020/2014, firmado entre a Fundação Municipal de Esporte e Lazer de Palmas (FUNDESPORTES) e o Instituto Vale do Tocantins, tinha como objetivo custear o projeto "Atividade Física e Recreativa no Combate às Drogas". A iniciativa prometia atender centenas de jovens em situação de vulnerabilidade social na capital tocantinense.

Projeto nunca saiu do papel

A investigação constatou que nenhuma atividade do projeto foi realizada. As crianças e adolescentes nunca receberam atendimento, materiais esportivos não foram adquiridos e as ações recreativas não aconteceram. A polícia classificou o caso como o "sequestro de uma esperança", onde políticas públicas serviram de fachada para crime.

Entre os indiciados estão o ex-presidente da Fundesportes, Cleyton Alen; o ex-vereador Rogério Freitas; e o presidente do Instituto Vale do Tocantins, Deusdete da Silva Melo. Eles são acusados de crimes como peculato, falsidade ideológica, lavagem de dinheiro, dispensa ilegal de licitação e associação criminosa.

Velocidade do desvio e estrutura fraudulenta

O processo para liberação da verba teve uma tramitação recorde de apenas oito dias. O dinheiro foi creditado na conta do Instituto em 3 de outubro de 2014 e, segundo análise bancária, 100% do valor foi desviado no mesmo dia por meio de cheques para empresas fantasmas.

O relatório policial afirma que "a celebração do convênio tinha como finalidade exclusiva a apropriação ilícita do erário". As notas fiscais apresentadas para justificar gastos eram falsas e emitidas por empresas de fachada, cujos endereços declarados eram fictícios – em um deles funcionava uma igreja evangélica.

Comissão fictícia e beneficiários

A fraude foi sustentada por uma estrutura organizada dentro da Fundesportes, que incluía uma comissão de análise de projetos. Servidores cujos nomes constavam nessa comissão declararam à polícia que sequer sabiam que faziam parte do grupo e nunca analisaram documentos.

Os recursos desviados foram distribuídos entre agentes políticos e familiares. A quebra de sigilo bancário identificou que o então vereador Rogério Freitas recebeu um depósito de R$ 40 mil de uma das empresas investigadas apenas cinco dias após o repasse do convênio.

Posicionamentos e próximos passos

Em nota, a Prefeitura de Palmas afirmou que os fatos não têm relação com a atual gestão e que colabora com as investigações. Por telefone, o pastor Deusdete Melo disse que o Instituto Vale do Tocantins foi desativado e que já prestou todos os esclarecimentos.

O ex-vereador Rogério Freitas declarou que, após 12 anos, não foi sequer denunciado: "É importante que se apresente a denúncia, os investigados se defendam e a justiça julgue, com a urgência que o caso requer." O g1 tenta contato com a defesa do indiciado Cleyton Alen.

Com a conclusão do inquérito, o caso segue para o Ministério Público do Tocantins, que analisará o relatório e decidirá sobre a denúncia dos dez investigados à Justiça.

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