Qualificação profissional amplia oportunidades e fortalece agro no Tocantins
Demanda por operadores capacitados cresce com adoção de tecnologias como GPS e drones nas lavouras.
A evolução tecnológica nas propriedades rurais do Tocantins, com a adoção de máquinas com GPS, piloto automático e sistemas de agricultura de precisão, elevou o nível de exigência por mão de obra qualificada. A função, antes predominantemente operacional, agora demanda profissionais que compreendam regulagens técnicas, interpretem dados embarcados e realizem manutenção preventiva, tornando a qualificação um fator estratégico para a competitividade do setor.
O vice-presidente da Aprosoja Tocantins, Thiago Facco, ressalta a necessidade de preparo técnico constante. “A produção tocantinense evoluiu significativamente em tecnologia. Para acompanhar esse ritmo, precisamos de profissionais capacitados, que atuem com eficiência e segurança dentro das propriedades. Investir em qualificação é fortalecer a competitividade do agro e ampliar oportunidades no campo”, afirma.
Capacitação em expansão
Instituições como o Senar Tocantins e sindicatos rurais têm ampliado a oferta de cursos para atender à demanda do setor. O Senar mantém um portfólio diversificado, com treinamentos em operação e manutenção de tratores, colhedoras, pulverizadores e cursos em tecnologia de precisão. Em 2025, a área de mecanização foi o segundo segmento mais executado pela instituição no estado.
O curso de Operação de Drone e Mapeamento Aéreo exemplifica a busca por novas tecnologias, com 183 turmas realizadas e 1.839 alunos capacitados apenas no ano passado. O Sindicato Rural de Gurupi, em parceria com a FAET, Senar e CNA, disponibiliza mais de 100 cursos gratuitos, sendo os de Operador de Máquinas Agrícolas e Classificador de Grãos os mais procurados.
Valorização no mercado
O instrutor do Senar Tocantins, Gibson Neres Rufo, observa que o mercado se tornou mais seletivo e valoriza a formação técnica. “O produtor busca um profissional que saiba operar, mas também interpretar as informações da máquina. Hoje, o operador é classificado por níveis, conforme as habilidades e a diversidade de máquinas que consegue operar com qualidade. Quanto maior a qualificação, maior a valorização no mercado”, explica.
O bom profissional tem sido disputado, especialmente diante da expansão agrícola e da necessidade de equipes preparadas para atuar em todo o ciclo produtivo. O superintendente do Senar Tocantins, Rayley Luzza, destaca que o fortalecimento da qualificação é condição essencial para sustentar o crescimento. “Capacitar pessoas é investir na sustentabilidade e na competitividade do agro”, ressalta.
Impacto econômico e social
O agronegócio responde por cerca de 29% do Produto Interno Bruto nacional, segundo a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil. No segundo trimestre de 2025, foi o segmento que mais gerou empregos no país, com crescimento de 2,7% na ocupação, totalizando 206 mil novos postos de trabalho, de acordo com a PNAD Contínua do IBGE.
Na prática, a qualificação transforma trajetórias, como a de Romildo Pereira, operador na Fazenda São Sebastião, em Araguacema. Filho de pequeno produtor, ele buscou cursos de operação, agricultura de precisão e aplicação segura de defensivos. “A formação trouxe mais segurança e confiança na rotina de trabalho”, relata. Exemplos como o seu mostram que o investimento em conhecimento amplia oportunidades e fortalece o desenvolvimento do agro tocantinense.
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