Senado inicia votação da reforma trabalhista de Milei em meio a protestos
Projeto polêmico do presidente argentino enfrenta resistência de sindicatos e oposição no Congresso.
O Senado da Argentina começou a votar, nesta sexta-feira (27), a reforma trabalhista proposta pelo presidente Javier Milei, em meio a protestos de sindicatos e grupos de oposição do lado de fora do Congresso. O pacote de medidas, batizado de "Lei Ómnibus", é um dos pilares do plano de ajuste econômico do governo e enfrenta forte resistência parlamentar.
A sessão foi marcada por tensão, com manifestantes tentando se aproximar do prédio do Congresso e sendo contidos pela polícia. O projeto, que já passou pela Câmara dos Deputados, propõe mudanças profundas na legislação trabalhista argentina, incluindo a extensão do período de experiência para novos empregados e a flexibilização de regras para demissões.
Conteúdo da reforma e críticas
Entre os pontos mais polêmicos da proposta está a extensão do período de experiência de três para oito meses, medida criticada por sindicatos que argumentam que fragiliza os trabalhadores. O projeto também prevê a redução de indenizações por demissão sem justa causa e facilita a terceirização de atividades.
O governo defende a reforma como essencial para gerar empregos formais e atrair investimentos. "Precisamos modernizar nossas leis trabalhistas, que estão engessando a economia e impedindo a criação de empregos", afirmou um porta-voz do Ministério do Trabalho. Do lado opositor, senadores criticam a velocidade da tramitação. "Estão querendo aprovar uma mudança que afeta milhões de trabalhadores sem o devido debate", disse a senadora opositora María Eugenia Duré.
Contexto político e econômico
A votação ocorre em um momento de forte pressão econômica na Argentina, com o governo Milei buscando implementar um amplo programa de liberalização após assumir o poder em dezembro de 2025. A "Lei Ómnibus" é a segunda grande reforma enviada ao Congresso, após a aprovação de um pacote de medidas de emergência econômica.
Analistas políticos avaliam que a capacidade de negociação do governo com o Congresso, onde não possui maioria automática, será decisiva para a aprovação do texto. O resultado da votação no Senado é considerado incerto, com vários senadores ainda indecisos.
Próximos passos e repercussão
Caso aprovada no Senado, a reforma retornará à Câmara dos Deputados para análise das modificações. A expectativa é que a votação se estenda pela noite. Paralelamente, centrais sindicais convocaram novas mobilizações para os próximos dias caso o projeto seja aprovado, prometendo intensificar a pressão sobre o governo Milei.
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