Chacina de Miracema completa quatro anos sem conclusão das investigações
Famílias das seis vítimas cobram justiça enquanto polícia mantém sigilo sobre o caso.
Quatro anos após uma série de assassinatos que chocou Miracema do Tocantins, as investigações sobre a chacina que matou seis pessoas em fevereiro de 2022 permanecem em sigilo. As famílias das vítimas seguem cobrando respostas e justiça, enquanto autoridades afirmam que a apuração continua para não prejudicar o trabalho policial.
Os crimes ocorreram em sequência após a morte do sargento da PM Anamon Rodrigues de Sousa, de 38 anos, durante um confronto com criminosos na noite de 4 de fevereiro de 2022. O policial, que atuava na Agência de Inteligência da corporação, foi atingido por uma bala de calibre .22 enquanto fazia um levantamento de crimes para subsidiar uma operação.
Sequência de mortes na delegacia e em residência
Horas após a morte do sargento, Valbiano Marinho da Silva foi assassinado dentro de sua própria casa. Ele era considerado pela polícia o principal suspeito de matar o militar. Sua mãe, Maria do Carmo, relatou à época que escutou os tiros enquanto tomava banho, e que sua filha deficiente e as netas pequenas presenciaram o crime.
No mesmo dia, Manoel Soares da Silva e Edson Marinho da Silva, pai e filho, foram levados à delegacia para prestar depoimento. Eles haviam passado a madrugada no local e foram liberados, mas aguardavam o amanhecer para voltarem para casa com segurança. Foi quando 15 pessoas encapuzadas invadiram a delegacia e os executaram. Vídeos mostram parte dos depoimentos dos dois momentos antes das mortes.
Três jovens são encontrados mortos
No dia 5 de fevereiro, mais três corpos foram encontrados no loteamento Jardim Buriti. As vítimas foram identificadas como Aprigio Feitosa da Luz, de 24 anos, Gabriel Alves Coelho, de 21 anos, e Pedro Henrique de Sousa Rodrigues, de 18 anos. O boletim de ocorrência registrou que eles apresentavam perfurações provavelmente ocasionadas por arma de fogo.
Um jovem, que na época tinha 18 anos, foi o único que sobreviveu à chacina. Ele foi baleado nas costas, mas conseguiu fugir e passou por cirurgia.
Famílias cobram justiça e investigações seguem sigilosas
Rivane Sousa, irmã de Pedro Henrique, uma das vítimas encontradas no Jardim Buriti, afirma que o jovem tinha planos de estudar e nunca se envolveu com crime. Após quatro anos, ela cobra justiça. "Ainda escuto os tiros disparados na residência", disse Maria do Carmo, mãe e esposa de três das vítimas, em entrevista à TV Anhanguera.
A Secretaria de Segurança Pública do Tocantins (SSP-TO) informou que a Diretoria de Repressão ao Crime Organizado (Dracco) segue investigando o caso e que mais informações não serão repassadas para não prejudicar a apuração, que corre em segredo de justiça.
A Polícia Militar do Tocantins (PMTO) esclareceu que, no momento, as investigações criminais estão sob condução da Polícia Civil. A corporação afirmou que somente após o avanço ou conclusão dessas apurações, caso fiquem evidenciadas condutas de policiais militares em transgressão, a PM terá embasamento para o devido direcionamento administrativo.
Operações de busca e apreensão
Em junho de 2022, durante as investigações sobre a chacina, casas de policiais militares e sedes de batalhões da PM em Miracema e em Palmas foram alvos de busca e apreensão. Na noite do crime contra o sargento, militares encontraram uma arma de fogo na casa onde Valbiano foi morto, que teria sido usada no tiroteio.
As investigações ainda não concluíram se as mortes dos três jovens no Jardim Buriti têm ligação com os assassinatos anteriores. Quatro anos depois, o caso permanece como uma ferida aberta para as famílias e para a cidade de Miracema do Tocantins.
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