Baladeira deixa de ser brinquedo e vira competição esportiva no Tocantins
Evento em Palmas reuniu 100 participantes e premiou campeão com R$ 500; tradição cultural ganha nova roupagem.
O estilingue, conhecido regionalmente como baladeira, bodoque ou atiradeira, transformou-se de brinquedo de infância em modalidade esportiva competitiva no Tocantins. No fim de janeiro, o 1º Campeonato de Baladeira foi realizado no loteamento Coqueirinho, zona rural de Palmas, atraindo cem competidores de várias regiões do estado.
A competição, idealizada pelos amigos Evandro Abreu e Getúlio da Silva, o "Jacaré", visa resgatar de forma saudável uma tradição cultural que marcou gerações. O objeto, tradicionalmente feito com galhos em forma de "Y", tiras de borracha e um pedaço de couro, era uma das brincadeiras mais acessíveis para crianças do interior.
Regras e dinâmica da competição
Para pontuar, os competidores precisam acertar um alvo posicionado a dez metros de distância, utilizando bolinhas de gude como munição. Cada participante recebe cinco bolinhas para tentar derrubar cinco alvos. Quem obtém o melhor resultado avança nas etapas eliminatórias até a final.
Os dois finalistas disputaram um prêmio em dinheiro no valor de R$ 500. O evento, embora intitulado como o primeiro campeonato, já havia sido realizado outras duas vezes anteriormente na capital tocantinense, demonstrando o crescimento do interesse pela prática.
Significado cultural e social
A diversidade de nomes para o mesmo objeto – baladeira, estilingue, atiradeira, bodoque – reflete a riqueza cultural das diferentes regiões do Brasil. Mais do que um passatempo, a atividade estimula a criatividade, a coordenação motora e a convivência em grupo, valores que os organizadores buscam preservar.
Embora o modelo artesanal ainda seja o mais emblemático, atualmente também é possível encontrar estilingues com corpo de metal à venda. A competição em Palmas mostra como uma tradição popular, parte da memória afetiva de muitas famílias, consegue se reinventar e manter-se relevante, agregando crianças e adultos em torno de uma prática comunitária.
O sucesso do campeonato indica que a prática deve continuar, com expectativa de novas edições que fortaleçam ainda mais este resgate cultural no estado.
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