Banco do Brasil registra calote de R$ 3,6 bilhões de uma única empresa
Valor representa a maior perda isolada já registrada pelo banco público em sua história recente.
O Banco do Brasil (BB) registrou um calote de R$ 3,6 bilhões concedidos a uma única empresa, em um dos maiores prejuízos isolados da história da instituição financeira pública. A informação foi divulgada nesta quinta-feira (12) e levanta questões sobre os processos de análise de risco e concessão de crédito do banco.
A identidade da empresa devedora não foi revelada oficialmente pelo banco, que se limitou a informar o valor da operação que entrou em inadimplência. O montante é considerado extraordinário e deve impactar significativamente os resultados financeiros do BB no trimestre.
Impacto nos resultados e medidas internas
O prejuízo de R$ 3,6 bilhões deve pressionar o lucro líquido do Banco do Brasil, que é controlado pela União e tem o governo federal como seu maior acionista. A instituição já iniciou uma auditoria interna para apurar as circunstâncias que levaram à concessão de um crédito de tal magnitude a um único cliente e os eventuais falhas nos controles.
Especialistas do mercado financeiro ouvidos pelo G1 avaliam que o caso é atípico e pode acionar mecanismos de supervisão do Banco Central. "Um calote deste porte em uma única operação sempre levanta bandeiras vermelhas sobre a governança e a gestão de risco", afirmou um analista que preferiu não se identificar.
Contexto de inadimplência no setor
O caso ocorre em um momento em que a inadimplência no sistema financeiro brasileiro já vinha sendo monitorada de perto pelas autoridades. Dados mais recentes do Banco Central mostram que a taxa de inadimplência das pessoas jurídicas havia apresentado leve alta nos últimos meses, reflexo de um cenário econômico ainda desafiador para muitas empresas.
No entanto, a dimensão do calote no Banco do Brasil se destaca por seu valor absoluto, sendo incomparável com as médias do setor. A instituição afirmou, em nota, que "está tomando todas as medidas judiciais e extrajudiciais cabíveis para recuperar os créditos" e que reforçará seus critérios de análise.
Próximos passos e supervisão
O Banco Central deve abrir procedimento para avaliar a conformidade da operação com as normas de gestão de risco. Paralelamente, a Controladoria-Geral da União (CGU) pode ser acionada para investigar a questão, dado o caráter público do banco. A expectativa é que os detalhes sobre a empresa devedora e as garantias oferecidas para o empréstimo venham a público nas próximas semanas, por meio de comunicados ao mercado ou de ações na Justiça.
O conselho de administração do Banco do Brasil foi convocado para uma reunião extraordinária na sexta-feira (13) para discutir o caso e suas implicações. A instituição garantiu que sua solidez financeera não está comprometida, mas o episódio deve gerar desdobramentos regulatórios e possíveis mudanças na sua política de crédito.
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