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Dólar tem maior desvalorização em uma década após medidas do Banco Central
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Dólar tem maior desvalorização em uma década após medidas do Banco Central

Moeda fecha em queda de 3,5% após anúncio de intervenção cambial e perspectiva de juros mais altos nos EUA.

Redação
Redação

30 de dezembro de 2025 ·

O dólar comercial registrou nesta terça-feira (30) sua maior desvalorização diária em dez anos no Brasil, fechando a R$ 4,85, uma queda de 3,5% em relação ao pregão anterior. O movimento ocorre após o Banco Central anunciar uma nova rodada de intervenções no mercado de câmbio e diante de sinais de que o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) pode manter os juros elevados por mais tempo.

A forte queda interrompe uma sequência de valorização da moeda americana, que acumulava alta de mais de 8% no mês. Analistas apontam que a decisão do BC de ofertar até US$ 2 bilhões em swap cambial reverso, instrumento que equivale à venda de dólares no mercado futuro, foi decisiva para conter a pressão especulativa.

Contexto econômico e medidas do BC

O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, afirmou em coletiva que a instituição está "atenta aos movimentos excessivos" no câmbio e utilizará todos os instrumentos disponíveis para garantir a estabilidade do mercado. "Nossa atuação tem sido e continuará sendo firme para mitigar volatilidades indevidas", declarou.

A desvalorização do real vinha sendo impulsionada pela aversão global ao risco, com investidores migrando para ativos considerados seguros, como o dólar, diante de incertezas na economia global e da expectativa de que os juros nos EUA permaneçam altos. O Comitê de Política Monetária (Copom) do BC se reúne na próxima semana para definir a taxa Selic, atualmente em 10,75% ao ano.

Impacto na economia e perspectivas

A queda do dólar é um alívio para setores importadores e para o controle da inflação, uma vez que produtos e insumos comprados no exterior ficam mais baratos. No entanto, especialistas alertam que a volatilidade deve continuar. "O mercado ainda está digerindo os dados de inflação nos EUA e aguardando os próximos passos do Fed. A tendência é de câmbio instável nas próximas semanas", analisa a economista-chefe da consultoria Tendências, Ana Paula Vescovi.

Para os próximos dias, o foco do mercado financeiro será a divulgação do Índice de Preços ao Consumidor (IPCA) de janeiro no Brasil e as atas da última reunião do Fed, que podem dar mais pistas sobre a trajetória dos juros americanos.

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