Família de vítimas cobra justiça um ano após queda da Ponte JK entre TO e MA
Laudo da PF aponta excesso de peso e falta de manutenção como causas do desabamento que deixou 18 mortos.
Um ano após o colapso da Ponte Juscelino Kubitschek (JK) na BR-226, entre Aguiarnópolis (TO) e Estreito (MA), familiares das vítimas cobram respostas e justiça. A tragédia, ocorrida em 22 de dezembro de 2024, resultou na morte de 18 pessoas, com três vítimas ainda desaparecidas e apenas um sobrevivente. Nesta segunda-feira (22), data que marca o aniversário do desastre, uma nova ponte foi inaugurada no local, em uma cerimônia que contrastou com a dor das famílias.
O vão central da estrutura cedeu por volta das 14h50 de um domingo, fazendo com que veículos e vítimas caíssem no Rio Tocantins. O laudo da Polícia Federal concluiu que o colapso foi causado por excesso de peso aliado à falta de manutenção, com indícios de omissão de agentes públicos. Apesar das conclusões, nenhum indiciamento ou prisão foi realizado, e o inquérito policial segue sem previsão de conclusão.
Dor e Injustiça
Victor Gabriel Ribeiro, filho de um casal que desapareceu na queda e perdeu também o neto de 10 anos, expressa a angústia da família. Para ele, a inauguração da nova estrutura no mesmo dia da tragédia é um ato de crueldade. “Vão ter pessoas comemorando a construção de uma ponte que demorou um ano, enquanto nesse ano nada aconteceu para tentar justificar, encontrar culpados. Minha família morreu e nada aconteceu para honrar a morte”, afirmou Victor ao g1.
Ele se referia à cerimônia que contou com a presença do ministro dos Transportes, Renan Filho, e dos governadores Wanderlei Barbosa (TO) e Carlos Brandão (MA). “É um sentimento de crueldade. No mesmo dia em que eu perdi minha família inteira nessa própria ponte, ir lá e comemorar, como se fosse um momento festivo... Não, foi só a morte de várias pessoas”, completou.
Investigacões e Omissões
Além do inquérito da PF, o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) abriu uma sindicância interna, mas também não divulgou resultados. Paralelamente, o Ministério Público Federal investiga os danos ambientais causados pela queda de pelo menos oito veículos, incluindo quatro caminhões. Três desses caminhões transportavam produtos perigosos, como ácido sulfúrico e defensivos agrícolas, que permanecem no leito do rio.
O trabalho de retirada dos veículos e dos galões de produtos químicos ainda não foi finalizado. A Marinha informou que não é responsável pela retirada dos produtos químicos. Questionado pelo g1, o Dnit não se manifestou sobre o andamento das operações até a última atualização desta reportagem.
Legado de uma Tragédia
Enquanto uma nova ponta é aberta ao tráfego, as famílias das vítimas seguem aguardando por accountability e pelo resgate dos corpos dos desaparecidos. A ausência de ações concretas da justiça ou de respostas das autoridades responsáveis pela infraestrutura mantém viva a ferida aberta pela tragédia, transformando a data de 22 de dezembro em um marco de luto e de cobrança por respostas que, até agora, não chegaram.
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