Justiça determina volta à prisão de motorista que atropelou e matou jovem com BMW
Réu havia sido liberado para prisão domiciliar, mas novo laudo pericial descartou necessidade de tratamento fora do cárcere.
Vitor Gomes Alves de Paula, de 22 anos, voltou para a prisão nesta quinta-feira (22) por determinação da Justiça de Araguaína, no Tocantins. Ele é acusado de atropelar e matar a motociclista Maria Alice Guimarães da Silva, de 25 anos, enquanto dirigia um carro da marca BMW em alta velocidade na BR-153, em março de 2025.
O mandado de prisão preventiva foi expedido após laudo pericial concluir que não há doença grave que justifique a manutenção da prisão domiciliar, benefício concedido ao réu em setembro de 2024. A decisão é da 1ª Vara Criminal da comarca.
Defesa se surpreende e prepara novo recurso
A defesa de Vitor Gomes informou que recebeu a decisão com surpresa e está preparando um pedido de habeas corpus para apresentar ao Tribunal de Justiça do Tocantins (TJ-TO). Os advogados alegam violação do direito ao contraditório, pois não foram intimados para se manifestar sobre o novo laudo pericial antes da decisão judicial.
Em nota, a defesa afirmou: "Recebemos com surpresa a decisão... sem intimar a defesa para se manifestar sobre o laudo pericial, o Judiciário decidiu e mandou recolher Vitor. A decisão viola o mais básico direito relativo ao contraditório".
Detalhes do acidente fatal
O atropelamento ocorreu na manhã do dia 22 de março de 2025. Maria Alice seguia para o trabalho de moto quando foi atingida por trás pelo veículo conduzido por Vitor. Ela morreu no local e deixou dois filhos, de seis e nove anos.
A perícia da Polícia Civil constatou que não havia marcas de frenagem no local e que o BMW trafegava a aproximadamente 200 km/h. Câmeras de monitoramento da rodovia registraram o momento da colisão.
No carro, além de Vitor, estavam mais dois ocupantes. O passageiro de 20 anos, proprietário do veículo, foi autuado por ter entregue a direção a Vitor, que não possuía Carteira Nacional de Habilitação (CNH). Ele responderá a processo em separado.
Contexto processual e reversão de benefício
Vitor Gomes tornou-se réu por homicídio qualificado em 3 de abril de 2025. Em setembro do mesmo ano, após apresentação de laudo médico que apontava problemas de saúde, ele obteve o direito de responder ao processo em prisão domiciliar.
O novo laudo, no entanto, descartou debilitação por doença grave e apontou a possibilidade de tratamento no ambiente prisional. Com base nisso, o juízo reverteu o benefício e determinou o recolhimento do acusado.
Em abril de 2025, a desembargadora Jaqueline Adorno de La Cruz Barbosa, do TJ-TO, já havia negado pedido de liberdade, considerando que não houve "qualquer ilegalidade ou arbitrariedade" na decretação da prisão preventiva.
Repercussão e próximos passos
A irmã da vítima, Fabiola Guimarães, destacou a luta de Maria Alice. "Com muita luta e esforço, ela conseguiu comprar a moto dela recentemente para ir para o serviço. É triste e estamos de coração despedaçado", disse.
A defesa de Vitor Gomes informou que o habeas corpus será impetrado em breve, possivelmente ainda na sexta-feira (23). O caso continua tramitando na 1ª Vara Criminal de Araguaína, onde será definido o futuro processual do réu.
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