Mortes em protestos no Irã chegam a 5.000, diz agência de direitos humanos
Organização com sede na Noruega afirma que manifestações contra o governo foram reprimidas com violência extrema desde setembro.
O número de mortos nos protestos que abalam o Irã desde setembro passado atingiu a marca de 5.000, de acordo com um relatório divulgado pela Iran Human Rights (IHR), organização não-governamental com sede em Oslo, na Noruega. Os manifestantes saem às ruas principalmente contra a morte da jovem Mahsa Amini, detida pela polícia da moralidade por usar o hijab de forma "inapropriada".
A agência de direitos humanos afirma que a repressão às manifestações por parte das forças de segurança iranianas tem sido extremamente violenta, envolvendo o uso de armas de fogo, prisões em massa e tortura. A maior parte das mortes ocorreu nas províncias do Curdistão e do Sistão-Baluquistão, regiões com populações de minorias étnicas que historicamente enfrentam discriminação.
Contexto de repressão e crise econômica
Os protestos, que começam em setembro de 2022, representam um dos maiores desafios ao regime teocrático desde a Revolução Islâmica de 1979. "O governo respondeu aos apelos por liberdade e dignidade com balas e prisões", afirmou o diretor da IHR, Mahmood Amiry-Moghaddam, em comunicado. A organização baseia seus dados em verificação de vídeos, relatos de testemunhas e contatos dentro do país, já que o acesso à informação é severamente restringido pelas autoridades.
O governo iraniano nega veementemente os números apresentados por agências internacionais. Em seus últimos comunicados oficiais, o Ministério do Interior do Irã reconhece menos de 300 mortes, que atribui a "agitadores" e "terroristas" financiados por potências estrangeiras.
Repercussão internacional e sanções
A escalada da violência levou a comunidade internacional a impor novas sanções a autoridades e entidades iranianas. A União Europeia e os Estados Unidos aprovaram medidas contra comandantes da Guarda Revolucionária e membros do judiciário acusados de suprimir os protestos. A alta comissária da ONU para os Direitos Humanos, Volker Türk, classificou a situação como "crítica", pedindo acesso imediato de observadores independentes ao país.
Analistas apontam que a crise política se agrava em meio a uma profunda crise econômica, com inflação anual superior a 50% e desvalorização acentuada da moeda local, o rial. A insatisfação popular, portanto, mistura demandas por liberdades civis com reclamações sobre o custo de vida e a falta de perspectivas para a juventude.
Próximos passos e cenário futuro
Com a persistência dos protestos e a repressão contínua, organizações de direitos humanos temem uma deterioração ainda maior da situação. A Anistia Internacional alertou para o risco de execuções em massa de manifestantes presos, após condenações em julgamentos considerados "grosseiramente injustos" por tribunais revolucionários.
O cenário para os próximos meses permanece incerto, com o governo demonstrando pouca disposição para concessões políticas e os manifestantes, principalmente jovens e mulheres, mostrando resiliência em continuar nas ruas, apesar do alto custo humano.
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