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Pesquisa Quaest: 58% temem ação similar à dos EUA na Venezuela no Brasil
Tocantins

Pesquisa Quaest: 58% temem ação similar à dos EUA na Venezuela no Brasil

Estudo revela que maioria dos brasileiros teme intervenção militar estrangeira no país, em cenário de instabilidade política.

Redação
Redação

15 de janeiro de 2026 ·

Uma pesquisa do instituto Quaest divulgada nesta quinta-feira (15) revela que 58% dos brasileiros têm medo de que o Brasil possa sofrer uma intervenção militar estrangeira semelhante à que os Estados Unidos ameaçaram realizar na Venezuela. O levantamento, encomendado pelo portal G1, ouviu 2.000 pessoas em todas as regiões do país entre os dias 10 e 13 de janeiro.

O temor surge em um contexto de avaliação equilibrada do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e de vantagem eleitoral percebida para o mandatário, conforme apontam outros dados da mesma pesquisa. A sondagem também captou os sinais de preparação para um possível ataque entre Estados Unidos e Irã, após a morte de um general iraniano.

Contexto Internacional e Repercussão Interna

A ameaça de intervenção dos EUA na Venezuela, feita pelo presidente Donald Trump em 2020, voltou a ganhar destaque após recentes movimentações militares americanas na região. Esse cenário geopolítico instável parece ecoar no imaginário da população brasileira. Para o cientista político Felipe Nunes, diretor da Quaest, o dado reflete uma "percepção de vulnerabilidade e instabilidade institucional".

"É um indicativo claro de que eventos internacionais de alta tensão são absorvidos pela sociedade brasileira, que projeta seus próprios medos sobre a realidade nacional", analisou Nunes em entrevista ao G1.

Lula mantém vantagem eleitoral e avaliação empatada

Em meio a esse cenário de apreensão, a pesquisa traz recados para o Palácio do Planalto. Na simulação de uma nova disputa presidencial hoje, Lula venceria todos os seus potenciais adversários, com vantagens que variam de 7 a 15 pontos percentuais. No entanto, a avaliação do seu governo está tecnicamente empatada: 45% consideram o desempenho ótimo/bom, contra 44% que avaliam como ruim/péssimo.

O estudo também mostra que a rejeição ao presidente está em 32%, enquanto a aprovação soma 49%. Para Nunes, os números indicam um eleitorado dividido e uma base de apoio que, embora suficiente para vencer eleições, não traduz um mandato consolidado. "A vantagem eleitoral não se converte em uma avaliação governamental robusta, o que deixa o governo em um campo de batalha política permanente", afirmou o diretor da Quaest.

Cenário Geopolítico Tenso

A pesquisa foi realizada em um momento de alta tensão internacional. Além da ameaça dos EUA à Venezuela, há sinais de que Washington e Teerã podem estar se preparando para um ataque, após a morte do general Qasem Soleimani em um ataque americano no Iraque. O governo iraniano, por sua vez, negou que o cineasta Erfan Soltani tenha sido condenado à pena de morte, como noticiado anteriormente.

Outro ponto de conflito envolve a Groenlândia. A região ártica, vista como essencial por Trump por seu potencial mineral estratégico e apelidada de "Domo de Ouro", tem sido alvo de disputa. A Rússia recentemente reclamou do envio de tropas da Otan ao território dinamarquês, acusando o ocidente de militarizar o Ártico.

Próximos Passos e Análise

Os dados da Quaest serão debatidos por analistas políticos e pelo próprio governo, que busca consolidar sua agenda em um ano eleitoral municipal. A percepção de risco de intervenção estrangeira, ainda que remota na prática geopolítica, pode influenciar o discurso e as alianças internacionais de Brasília.

Especialistas ouvidos pelo G1 avaliam que o governo Lula deve reforçar sua retórica em defesa da soberania nacional e do multilateralismo, buscando acalmar os temores revelados pela pesquisa. O contexto internacional volátil, com crises no Oriente Médio e tensões no Ártico, deve manter o tema da segurança global no centro do debate público brasileiro nos próximos meses.

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