Relatório da CGU aponta sobrepreço de R$ 17,8 milhões em ponte reconstruída no TO
Auditoria identificou uso de referências antigas e atualizações financeiras acima de 100% para simular orçamento da obra.
Um relatório da Controladoria-Geral da União (CGU) identificou indícios de sobrepreço de R$ 17,8 milhões na reconstrução da ponte Juscelino Kubitschek, que liga os estados do Tocantins e do Maranhão na BR-226. A obra, entregue em dezembro de 2025, teve um investimento total de R$ 171.969.000,00.
A auditoria apontou que o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), órgão responsável pela contratação, utilizou referências de obras com mais de 10 anos e aplicou atualizações financeiras superiores a 100%, o que distorceu os valores reais de mercado. A CGU estima que o custo adequado seria de R$ 154,15 milhões.
Contexto da obra e resposta do DNIT
A reconstrução da ponte foi realizada em caráter emergencial, após o desabamento da estrutura antiga em 22 de dezembro de 2024. O colapso deixou 14 mortos, três desaparecidos e apenas um sobrevivente. Antes da queda, moradores já alertavam autoridades sobre problemas na estrutura.
Em nota ao g1, o DNIT afirmou que o orçamento foi "elaborado com base em estimativas técnicas compatíveis com a complexidade da obra" e que o relatório da CGU aponta apenas "indício de risco de sobrepreço", sem constatação de dano efetivo ao erário. O órgão se comprometeu a adotar "providências administrativas cabíveis" caso análises técnicas confirmem a necessidade de ajustes.
Problemas apontados pela auditoria
Além da metodologia orçamentária, a CGU destacou falhas na documentação do processo. Cartas de solicitação de propostas e justificativas formais para a escolha das empresas consultadas não foram encontradas nos autos, o que prejudica a rastreabilidade da licitação.
A ponte reconstruída tem 630 metros de extensão, 19 metros de largura e foi inaugurada exatamente um ano após a tragédia, em 22 de dezembro de 2025. A estrutura antiga foi implodida em fevereiro de 2025 para dar início às obras.
Próximos passos e monitoramento
O relatório da CGU já foi concluído e contém análises e recomendações direcionadas ao DNIT. A controladoria deve manter o monitoramento do caso. O DNIT informou que o documento "encontra-se em análise pelas áreas técnicas competentes" e que suas recomendações estão sendo avaliadas para "aperfeiçoamento contínuo" dos procedimentos internos.
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