União Europeia negocia acordo de terras raras com o Brasil, diz presidente do bloco
Negociações visam garantir suprimento de minerais essenciais para a transição energética e indústria de alta tecnologia.
A União Europeia está em negociações com o Brasil para um acordo estratégico sobre terras raras, conforme anunciado pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen. O objetivo é assegurar o fornecimento desses minerais críticos, fundamentais para a produção de turbinas eólicas, veículos elétricos e componentes eletrônicos.
O Brasil possui uma das maiores reservas mundiais de terras raras, um grupo de 17 elementos químicos. O acordo em discussão faz parte da estratégia europeia para reduzir a dependência da China, que atualmente domina mais de 80% do processamento global desses minerais.
Contexto Geopolítico e Econômico
A busca por novas fontes de terras raras ganhou urgência após a guerra na Ucrânia e as tensões comerciais entre Ocidente e Oriente. A UE estabeleceu a meta de processar internamente pelo menos 10% de suas necessidades anuais de terras raras até 2030, além de reciclar 15% desses materiais.
“A parceria com o Brasil é crucial para nossa autonomia estratégica e para a transição verde”, afirmou von der Leyen em comunicado. O acordo prevê investimentos em pesquisa, desenvolvimento de tecnologias de extração sustentável e cooperação industrial.
Potencial Brasileiro e Desafios
As principais reservas brasileiras estão localizadas no estado do Amazonas e em Minas Gerais. A exploração, no entanto, esbarra em desafios logísticos, ambientais e tecnológicos. O governo brasileiro condiciona a parceria a investimentos em infraestrutura e transferência de tecnologia.
Especialistas apontam que, além do valor comercial, o acordo pode posicionar o Brasil como um ator central na nova geopolítica dos recursos minerais. A conclusão das tratativas está prevista para o segundo semestre de 2026.
Próximos Passos e Impactos
Uma missão técnica europeia deve desembarcar em Brasília nas próximas semanas para detalhar os termos de cooperação. O acordo final precisará ser aprovado pelo Congresso Nacional brasileiro e pelo Parlamento Europeu.
Analistas econômicos projetam que um acordo bem-sucedido pode atrair mais de € 5 bilhões em investimentos para o setor mineral brasileiro na próxima década, gerando empregos e impulsionando a balança comercial.
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